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Consulta de Avaliação
Muitas mulheres que estão a amamentar chegam à consulta com uma dúvida muito legítima: "Posso fazer o meu tratamento de preenchimento facial agora, ou tenho de esperar?"
Quando o tratamento em questão é a hidroxiapatita de cálcio — conhecida comercialmente como Radiesse — a resposta não é simples. Neste artigo explicamos o que a ciência sabe (e o que ainda não sabe) sobre este tema, para que possa tomar uma decisão informada.
O que é a Hidroxiapatita de Cálcio?
A hidroxiapatita de cálcio é um filler dérmico — um produto injetável utilizado para preencher sulcos, restaurar volume facial e estimular a produção de colagénio. É composta por microesferas minerais muito semelhantes ao mineral que constitui os nossos ossos e dentes, suspensas num gel de base aquosa.
É um dos fillers mais utilizados em medicina estética, com mais de uma década de dados de segurança em adultos saudáveis.
Mas e durante a amamentação?
Aqui chegamos ao ponto central: não existem estudos clínicos publicados que tenham avaliado diretamente a utilização deste produto em mulheres a amamentar.
Isso não significa necessariamente que seja perigoso — significa que a ciência ainda não o estudou de forma direta. E quando não existem dados, a medicina é naturalmente cautelosa.
O que nos diz a biologia
Apesar da ausência de estudos específicos, os médicos podem raciocinar com base no comportamento conhecido do produto no organismo:
As microesferas são demasiado grandes para entrar na circulação. As microesferas do Radiesse têm entre 25 e 45 micrómetros de diâmetro — são centenas de vezes maiores do que os poros dos vasos sanguíneos. Fisicamente, não conseguem entrar na corrente sanguínea e, por isso, não chegam ao leite materno.
O produto fica onde é injetado. Vários estudos de seguimento confirmam que a hidroxiapatita de cálcio permanece localizada no tecido tratado, sem migração para outras zonas do corpo.
Os seus produtos de degradação são minerais naturais. Com o tempo, o produto degrada-se lentamente em iões de cálcio e fosfato — os mesmos minerais que o seu corpo usa para construir ossos. São substâncias que o organismo já sabe gerir.
O cálcio no leite materno não depende do cálcio no sangue. Mesmo que houvesse alguma libertação adicional de cálcio, o leite materno regula a sua concentração de cálcio de forma independente. Estudos do New England Journal of Medicine mostraram que tomar 1000 mg de cálcio em suplemento por dia não altera a composição do leite.
O que dizem as entidades médicas
Entidade | Posição |
|---|---|
Merz (fabricante do Radiesse) | Classifica a amamentação como contraindicação |
FDA | Indica que a segurança "não está estabelecida" |
InfantRisk Center (Texas Tech University) | Considera compatível com amamentação, com base na farmacologia |
Existe, portanto, uma divergência: o fabricante adota uma posição cautelosa, enquanto centros especializados em medicação e amamentação consideram o risco muito baixo com base no comportamento do produto no organismo.
Qual é o risco real para o bebé?
Com base no que a ciência conhece, o risco de o produto chegar ao leite materno e afetar o bebé é considerado praticamente nulo. As microesferas não entram na circulação; os seus produtos de degradação são minerais endógenos; e a quantidade de cálcio libertada ao longo de meses seria marginal face ao cálcio já presente no leite.
No entanto — e isto é importante — a ausência de estudos não é a mesma coisa que prova de segurança. Nunca foram feitas medições diretas de componentes do Radiesse no leite materno de mulheres tratadas.
E os outros fillers? Existem alternativas mais estudadas?
Sim. O ácido hialurónico é considerado, por consenso médico, a opção de filler mais segura durante a amamentação — não porque tenha mais estudos específicos, mas porque é uma substância naturalmente presente no corpo humano e, sobretudo, porque é reversível: em caso de qualquer problema, pode ser dissolvido com uma enzima chamada hialuronidase.
A hidroxiapatita de cálcio não é reversível, o que é um fator a ponderar em qualquer decisão durante períodos sensíveis como a amamentação.
O que recomendamos na consulta
Na nossa clínica, a abordagem a esta questão é sempre individualizada e transparente:
Apresentamos toda a informação disponível — incluindo as incertezas.
Discutimos alternativas, como o ácido hialurónico, se o tratamento for urgente ou importante para si.
Se optar por aguardar, ajudamos a planear o timing ideal após o desmame.
Se quiser avançar, fazemos um consentimento informado detalhado que cobre o uso off-label e os sinais a que deve estar atenta no bebé.
A decisão é sempre sua — o nosso papel é garantir que é uma decisão verdadeiramente informada.
Em resumo
Não existem estudos específicos sobre Radiesse e amamentação.
A biologia do produto sugere que o risco de afetar o leite materno é muito baixo.
O fabricante contraindica por precaução; centros especializados consideram-no compatível.
O ácido hialurónico é a alternativa preferida durante a amamentação por ser reversível.
A decisão deve ser sempre tomada em consulta médica, com consentimento informado.
Tem dúvidas sobre tratamentos estéticos durante a amamentação? Marque uma consulta na nossa clínica. Avaliamos o seu caso de forma personalizada, com toda a informação científica atualizada e sem pressões.
Artigo elaborado com base em revisão da literatura científica publicada, incluindo dados do LactMed (NIH), InfantRisk Center (Texas Tech University), FDA e estudos peer-reviewed. Última atualização: fevereiro de 2026.

